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passado a limpo

então, 2013 chegou, pensei em uma proposta pra esse ano pro blog, mas primeiro quero botar as coisas em dia e postar estes dois rabiscos do ano passado que ficaram pendentes no facebook. espero que gostem.

quando cai a muralha

tudo tão torto
que a que seria farta
perde a energia. consome-se.
muralha cansada chora tijolos: desmorona.
machuca.
final que não quer ser. tarde escura: noite clara.
encarar escombros é tarefa pra muralha erguida
que só quer ser mirante, não bloqueio.

pó e cia

dez encontros, desencontros.
mau entendido, mal entendidos.
silêncio, se lenço.
de pressão, depressão.
farta falta.
afim? fim.

com afeto, álvaro.

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Pássaro preso

Como a sua corda em paradoxo. Paraliso.
Respiro resposta da ausência de questão.
Sinto presença distante em latência.
Confundo (-me).
Volta e sente falta. De quê?
Sai de uma vez, desimpede.
Fluxo catártico, sopro gelado. Sopra. Fundo.
Come sem medida, delicia.
Arfa. Desfalece epilético.
Sacode. Bate forte. Descontrola.
Esclarece.
Sai por súplica. Medita.
Volta? Prova e gosta. Angustia.
Corte insano, dor na alma. Sopra.

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Ceia mórbida

Linha de fogo em pólvora, apressada, rota certa.
Faísca fascinante, imprevisível, pula esperta.
Linha diagonal, curva precoce, face alerta.
Bomba, fim de partida, medo atroz, ferida aberta.

Açougue humanóide, carne fresca, tudo à venda.
Parece até mentira, inverdade, mito, lenda.
Corpos despedaçados, rachaduras, ossos, fendas.
Levando um bom pedaço, ganha os órgãos como prenda.

Sobras desperdiçadas são levadas pro porão.
Onde ninguém conhece, tocam harpas, violão.
A festa underground rola após a explosão.
Tem muito vinho tinto na sangrenta refeição.

Dentes rangem sinistros, a donzela se intimida.
Com tanta gente estranha, ela se sente excluída.
Ter resistido à bomba parecia má pedida.
Pra ela, confortável era a atitude suicida.

O barulho do tiro virou comemoração.
Mais carne, alimento, apetitoso coração.
Os sonhos que levara perderam-se, tudo em vão.
Seu sexo era agora canibal congregação.

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Quatro rabiscos

Shake de Cérebro

Sabe quando o Sol sussurra cínico, sôfrego, selvagem?
Sente o sangue quente penetrando em sua mente, energizando?
Sopro suicida, rumo ao Sol, sangue, ferida. De passagem.
Líquido malandro, sobe forte, sobe liquidificando.

Meus pequenos

Meus amigos serão sempre meus pequenos.
Porque precisam de cuidado. De carinho.
Meus queridos sempre excedem. Nunca menos.
Os quero sempre do lado. No meu ninho.
Meus pronomes possessivos (ou venenos)
Mostram-me admirado, não mesquinho.
Companhias, bons abraços. Só acenos.
São o significado. Meu caminho.

Aerozoo

Aeronave. Braço. Crica. Dardo. Eletrochoque. Fantasia.
Giro. História. Isqueiro. Jogo. Lótus. Maestria.
Navalha. Opala. Pedra. Queijo. Rato. Sinfonia.
Teta. Umbigo. Vértice. Xarope. Zombaria.

Ressurreição

Sarcófago revirado. Susto.
Sol chorando, praia estéril.
Bobagem. Quem se importa?
Pacto de silêncio. Nua mudez.
Hemorragia seca. Sorriso tímido.
Além longínquo. Partida forçada.
Doce naufrágio. Conforto e asfixia.

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O cheiro dos dedo

Ontem de madrugada
Acordei, inda era cedo.
Senti um cheiro bem forte,
Descobri que era nos dedo.

Vi que num era normal,
Normalmente eu num fedo.
Achei que sabão tirava,
Num tirô, engano ledo.

Cumecei disconfiá,
Tremê e ficá cum medo.
Entrei nos computador,
Até mandei uns torpedo.

Marquei logo com o doutor,
Que disse: “Seu Godofredo,
O problema do senhor,
Vou contar, mas é segredo…”

Bem baixinho, sussurrando,
Disse que o cheiro azedo
Que tava me incomodando,
Brotava bem lá dos dedo.

Um fedor de bacalhau,
Olhe! Num era brinquedo!
Nem te conto o que é que era!
É melhor fechar o enredo.

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Monólogo do Tempo

Ontem eu não era.
Antes de mim, em outra era,
Não havia, em ampla esfera,
Algum sentido na espera.

Acontece que fui.
Num instante que se rui
Lentamente, disse mui
Lentamente, algo se inclui.

Quando, então, passo a ser,
Acelera-se o crescer.
O lento passa a correr.
Há um súbito dever.

Tudo o que rejo e faço,
Sustenta-se, passo a passo,
No ritmo do compasso
Que une as pontas do laço.

Até que, então, envelheço.
Tudo volta ao começo.
O lento evita o tropeço.
E eu, o tempo, desapareço.

P.S.: O texto “Monólogo do Tempo” foi criado e apresentado por mim para trabalho final do módulo “Corpo e Movimento” da pós-graduação em Comunicação e Arte do Ator.

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Ópio e tinta

Morte. Calafrio. Desejo forte.
Sorte. Sorrio, não vejo um norte.

Ambição, segredo, tristeza profunda.
Ação com medo, torpeza inunda.

Vida, alegria, felicidade.
Caída palhaçaria, inverdade.

Exclusão, isolamento, talento nato.
Solidão, tormento, lento assassinato.

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