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Hoje tem palhaçada?

Para inaugurar a segunda seção deste blog, que vou chamar de “Monólogos de um ator desesperado“, vou propor uma reflexão: como é possível estarem tão perto a alegria e a tristeza? Nesta seção, vou tentar linkar obras e/ou personagens de peças teatrais com acontecimentos do cotidiano, tentando explorar minha veia artística. Se não der certo, me avisem!

Cenário: Picadeiro do circo

Inspiração: Riso Risada – “A Formosa Menina que salvou o circo”, de José Luiz Ribeiro. Um palhaço sem graça que, com a ajuda da protagonista, redescobre o segredo de fazer rir e encantar seu público.

A personagem entra em cena com a dificílima missão de fazer rir. Nos ensinam, nas aulas de teatro, que, geração após geração, as pessoas sempre riem das mesmas coisas. Mas espera aí! Estamos lidando com pessoas, e não com a massa amorfa e homogênea de Herbert Blumer.*

Partindo deste princípio, é necessário fazer rir toda a plateia que inunda o picadeiro. Homens, mulheres e crianças, vindos de realidades diferentes, com sofrimentos peculiares e que se identificarão – e acharão graça – de atitudes distintas entre as estripulias realizadas.

Álvaro Dyogo viveu o palhaço Riso Risada na peça "A Formosa menina que salvou o circo", de José Luiz Ribeiro

Consciente da importância e da dificuldade de seu papel, o palhaço entra confiante. Demonstra seu poder de comunicação, seu jogo de cintura, seu tato para lidar com diversos públicos diferentes. Torna o ambiente mais ameno e mais alegre. Parece até que estou descrevendo um grande empreendedor, mas é apenas um palhaço.

Ao final da apresentação, o riso é geral. O palhaço cumpriu seu papel. Os homens e mulheres se aliviaram, não estão mais estressados com o dia corrido que tiveram, estão revigorados. Isso sem falar nas crianças, com aquele brilho que é só delas no olhar.

É, então, chegada a hora em que o palhaço vira o chapéu, para receber a gratificação pelo trabalho bem executado. Alguns poucos se compadecem e deixam alguns trocados. A grande maioria ignora, vai embora se esquecendo de quão bem lhe fez a apresentação. Fazer rir, afinal, não é difícil como decorar as leis, construir casas. É até fácil demais.

Nessas horas, me pergunto como ainda existem pessoas capazes do gesto tão humano de levar alegria às outras, como os palhaços que foram devolver a infância às crianças do Haiti, ou mesmo a ONG juizforana Médicos do Barulho, que realiza um trabalho belíssimo nos hospitais, que eu pude acompanhar de perto e sentir como o clima fica diferente com a presença deles.

Fica o questionamento: será que estamos valorizando devidamente os nossos artistas? Arte não é fácil.

*Herbert Blumer escreveu um artigo chamado “A massa, o público e a opinião pública“, no qual descreve o comportamento similar da massa diante do conteúdo recebido. teoriadacomunicaçãoserviupraalgumacoisa.

Por ora fica assim!

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