Review – Harry Potter and the Cursed Child – Para começar…

Minha experiência com a peça Harry Potter and the Cursed Child foi tão intensa que decidi fazer um review da peça (na verdade quatro, um por ato) aqui no blog para que a experiência esteja sempre viva em minha memória. Não vou economizar nos detalhes, vai ter spoilers e vou focar bastante na parte técnica teatral também, porque eu faço teatro e sou apaixonado por essa arte.

Utilidade pública

Antes de começar, informação útil pra você que está pensando em cometer uma loucurinha como eu e ir assistir à peça em Londres:
Até quando a peça fica em cartaz? Por enquanto, há ingressos à venda até julho de 2018.
Como comprar ingresso? Pela internet, no site exclusivo da peça que você acessa clicando aqui. Você pode comprar da Nimax ou da ATG tickets. Os preços são os mesmos.
Quanto custa? Os ingressos variam de 30 a 140 libras esterlinas dependendo do lugar escolhido. Aconselho a comprar com muita antecedência, boa parte das datas não tem mais lugares disponíveis.
Dica: todas as sextas-feiras, o site disponibiliza uma promoção chamada Friday 40. Através desta promoção, são vendidos 40 ingressos promocionais, com preços imperdíveis, em excelentes lugares do teatro. Mas você pode imaginar como eles são concorridos, né?
Onde são as apresentações? Palace Theatre (113 Shaftesbury Ave, London W1D 5AY, England)
Qual a duração da peça? 2h40 (parte 1) | 2h35 (parte 2). Ambas as partes têm um intervalo de 20 minutos entre os atos.
Curiosidade: Uma nova versão da peça será produzida em Nova York. A estreia está prevista para abril de 2018.

Como tudo começou…

Agora sim, vamos começar a conversa: quando o projeto da peça começou a tomar forma, eu já sabia que aquilo iria me impactar de forma diferente. Sou ator, amo teatro, e a possibilidade de ver o universo Harry Potter expandido para os palcos era muito excitante. O texto nasceu, e eu devorei imediatamente. Como muitas pessoas que leram, tenho lá minhas críticas ao roteiro, especialmente por ter envolvido as duas questões do universo HP que mais me incomodam: o vira-tempo e o Torneio Tribruxo. Acho muito perigoso mexer com o tempo em qualquer história e sempre achei o Torneiro Tribruxo uma péssima ideia do Voldemort. Além disso, tem a Delfi, né? Tipo, todo esse lance de filha do Voldemort com a Belatriz que até hoje está todo mundo esperando ser melhor explicado, porque né? Quando Bella esteve grávida? Mas, enfim, superados os traumas, a peça tem coisas excelentes. Não é minha intenção aqui fazer uma crítica ao roteiro. Talvez num outro momento, mas esses comentários vocês têm aos montes na internet. Acho que posso contribuir mais com a minha experiência assistindo ao espetáculo.

Minha experiência

Data: 20 de abril de 2017 – 19h30 (parte 1) | 21 de abril de 2017 – 19h30 (parte 2)
Localização no teatro: Stalls – a visão desse lugar é excelente, no nível do palco, então você vê tudo com bastante nitidez. Comprei porque era o lugar disponível, mas se alguém puder escolher, recomendo super o lugar.
A peça tem um elenco original e atores substitutos para todos os papéis. Nos dias em que eu assisti, houve as seguintes substituições:
– Jack North interpretando Cedrico Diggory, Tiago Sirius Potter & Tiago Potter (interpretados originalmente por Tom Milligan)
– Joshua Wyatt interpretando Duda Dursley, Karl Jenkins & Vítor Krum (interpretados originalmente por Jack North)
– James Howard interpretando Draco Malfoy (interpretado originalmente por Alex Price)
Dessas substituições, a maior de todas foi a do intérprete do Draco, porque os outros personagens são menores. Não assisti com Alex Price, mas posso dizer que a atuação de Howard como Malfoy não deixou nada a desejar. Ele estava incrível no papel.
Além disso, os papéis de Harry Potter (jovem) e Lílian Luna Potter, por serem interpretados por crianças, sofrem um rodízio de atores. Nas datas em que assisti, Jabez Cheeseman interpretou brilhantemente o jovem Potter, enquanto Hope Sizer ficou com o papel de Lílian Luna.
A partir de amanhã, farei uma sequência de posts comentando detalhadamente cada ato da peça. Espero que gostem!

Próximos textos:

Review – Harry Potter and the Cursed Child – Parte 1 – Ato 1

4 Comentários

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Poesia viva

(poesia dedicada a Stefanye Trombini)
Quer uma poesia dedicada a você? Clique aqui e participe.

Poesia de próprio punho
É pura tinta na folha.
Não quer saber de rascunho,
Ela vive em sua bolha.

Poesia inquietante,
É suave, inteligente.
É pequena ou é gigante,
Mas sempre surpreendente.

Poesia feminina,
Universo virtual.
Só começa e não termina:
Faz parte do ritual.

Poesia delicada,
Vai do Sul até o Norte
Sempre suave e ousada,
Sempre serena, mas forte.

Poesia de presente,
De passado e de futuro,
Poesia diferente
Que atira no escuro.

Poesia mafiosa,
Sobrevivente do caos:
Métrica meticulosa
Que separa os bons dos maus.

Poesia de lembrança,
De memórias de verdade.
Poesia de herança,
Fruto da maternidade.

Poesia pra quem pode,
Pra quem é forte o bastante.
Se a rima a bolha explode,
O afeto é transbordante.

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Treze sensações

Começaram os burburinhos, o hype veio forte, a temática me é sensível, e, quando vi, estava devorando 13 reasons why. Agora finalmente acabei de assistir à primeira temporada da série, li muitas opiniões, favoráveis e contrárias ao argumento e à forma como a questão do suicídio é retratada na série. Ninguém precisa de mais um manual. Não vou recomendar nem desaconselhar a série. Acho que cada um que se sentir confortável com a ideia deve assistir à série e tirar suas próprias conclusões. Mas se você estiver em situação vulnerável, sugiro que considere conversar com outras pessoas que assistiram à série para perceber se irá se sentir confortável. Se precisar de ajuda, lembre-se de que você tem alternativas. Tente encontrar alguma que seja possível para você. Procure um amigo. Procure seus pais. Me procure (estou aqui, mesmo!). Ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) – 141. Ou só respire fundo (ajuda bastante) se todo o restante for muito difícil agora. Dito isto, pode ficar tranquilo, você não vai encontrar spoilers por aqui. Não vou me preocupar, também, em ser sucinto. Continue por sua conta. Vou deixar aqui treze sensações que a série me provocou, e peço licença para ser tão pessoal quanto nunca fui aqui no blog:

1 – Bullying mata

Brincadeira é quando todo mundo está se divertindo. Bullying não é mimimi, não é “algo natural da época escolar”, não é brincadeira. Não deve ser encarado desta forma. Sofri bullying durante toda minha vida escolar e em parte da acadêmica. Foram anos de exclusão, isolamento, humilhação, ameaças e vulnerabilidade. Eu não estava preparado para nada daquilo. Eu era uma criança, e lidei com uma série de fantasmas que me assombram até hoje. Sozinho. E se eu não tivesse “sido forte”? E se eu não tivesse sobrevivido? Alguém se importou? Eu, assim como Hannah (personagem principal da série), tenho “porquês” de sobra. Guardo nomes. Sobrenomes. Eu sobrevivi. Mas quantos não? Guardo o pânico que eu experimentei. Isso provavelmente vai me acompanhar pra sempre. Essa experiência terrível só serviu para me mostrar que as pessoas podem ser horríveis, que a escola é um ambiente hostil e que a fragilidade é encarada como um pecado. Vamos à segunda sensação.
2 – As escolas são cruéis e negligentes

Nossas escolas, assim como a escola de Hannah, são completamente despreparadas para lidar com jovens em situação de sofrimento. Passei, ao longo da vida, por quatro escolas, todas particulares, e por uma universidade federal. Ambientes privilegiados que, em tese, deveriam estar preocupados com o bem estar de seus alunos. Não estavam. Fui ameaçado, atacado, perseguido por estudantes, professores e coordenadores que me humilharam, expuseram e em nenhum momento se preocuparam em cuidar de mim de verdade. Eu procurei ajuda. Nenhuma escola levou o assunto a sério o suficiente. Nenhum bully foi punido. Somente eu fui intimidado, invadido, exposto. Doeu muito e eu estava sozinho. Passemos adiante.
3 – É difícil lidar com a dor e a solidão

Mais uma vez, aqui me identifico com Hannah. Bullying dói. Machuca a alma da gente pra sempre. Cria feridas que nunca vão cicatrizar. Sentir-se sozinho para lidar com o bullying aos 6, aos 9, aos 12, aos 15, aos 19 anos, é uma dor que vocês nem podem imaginar. Especialmente aqueles que não passaram nem perto de conviver por mais de 10 anos com ele. Não adiantava mudar de escola. Não adiantava mudar de cidade. Não adiantava ser simpático. Carismático. Ter amigos. Não adiantava nada. O bullying agredia, cortava, sufocava, e no fim do dia eu estava sozinho. Eu sentia vergonha. Eu não queria que ninguém soubesse. Eu precisava ser forte. Eu me cobrava essa força. Mais um trauma. Meus bullies? Sinceramente? Provavelmente seguiram levando a vida deles. Nunca nenhum deles precisou lidar com o sofrimento que me causou. Nunca. Próxima sensação.
4 – Os bullies não vão se sensibilizar

Uma das coisas que mais me incomodou durante minha empreitada com a série. Bullies não se importam. É simples. Olhe ao redor. Veja quem está vendo a série. Quem está discutindo. Quem está lendo esse post. Não são os bullies. Eles vão continuar vivendo a vida deles da forma como eles acham correto. Agredindo. Assediando. Coagindo. Ameaçando. Conscientização? Sério? Isso é ineficaz com eles.Eles não estão nem aí se Hannah Baker se matou. Enquanto o bullying for encarado como brincadeira e sem punições concretas a quem pratica, as pessoas vão continuar achando normal usar os outros de escada para a sua popularidade, ferindo os outros por suas próprias inseguranças etc. Compreender o bully é relativamente fácil. Difícil é agir. Somos nós, as vítimas, que precisamos agir, de alguma forma, em algum ato de desespero, para que não sejamos as próximas Hannah’s. Alguns de nós irão conseguir. Eu consegui. Outros não. De quem é a culpa? Próximo ponto.
5 – Precisamos tratar da nossa saúde mental

É só olhar ao redor. Você conhece um ansioso. Você conhece alguém com tendência depressiva. Você conhece alguém que já teve pensamentos suicidas. Muitas vezes parece não haver ninguém por essas pessoas. Eu faço terapia desde, sei lá, meus 8 anos. Eu elaboro as minhas questões. A terapia me ajudou a sair de estados de pânico, de ansiedade extrema, de tristezas tão profundas que me tiravam as forças. Mas somos o tempo todo desencorajados a cuidar e nos preocupar com nossa saúde mental. “Psicólogo é coisa de doido”. “Eu lido bem com meus próprios problemas”. “Não acho que preciso disso”. “Daqui a pouco a dor passa passa”. Precisamos cuidar uns dos outros. Precisamos nos cuidar. Exercício físico, yoga, terapia, psicanálise, psiquiatra. Tanto faz. Vamos cuidar da nossa saúde mental, por favor. É necessário.
6 – Lidar com a nossa responsabilidade é duro

(pequeno spoiler) Vi muitos comentários sobre a demora de Clay em ouvir as fitas de Hannah. Não me incomodou. Clay era um dos porquês de Hannah ter cometido suicídio, e ele não fazia ideia de porque estava na lista. (/fim do pequeno spoiler). Também somos cruéis. Em muitos níveis. Estamos preparados para encarar isso de frente? Para repensar nossas ações e como elas podem impactar os outros? Estamos preparados para lidar com nossas responsabilidades, mesmo quando nossas ações causam dor e desespero, em pessoas queridas ou em desconhecidos?
7 – Nós ouvimos os pedidos de socorro?

Quantas vezes paramos para ouvir os pedidos de socorro? Vamos parar de fingir que não os escutamos. Não são sussurros, são gritos. Altos e claros. Não estou bem. Preciso de ajuda. Quero ficar sozinho. Estou me sentindo angustiado. Sinto um aperto no peito. Pode ir embora. Como agimos quando nos dizem essas coisas? Próximos ou não de quem nos falou, se nos falou, é porque, por algum motivo, encontraram em nós espaço para um grito. Pode ser o último grito. Vamos mesmo silenciar? Virar as costas?
8 – Precisamos de ajuda!

Todos nós precisamos de ajuda às vezes. E o que fazemos? Não precisamos ser fortes! Não temos que… nada! Está tudo bem em pedir ajuda, em contar com o outro. Não estamos sozinhos. Temos que ter uns aos outros. Precisamos.
9 – O que dissemos tem impacto

Aquela brincadeira inocente. Aquela designação para o “papel de árvore” na peça de teatro da escola. Aquela zoação com o sotaque do colega. Aquela pressão para o menino tímido chegar nas menininhas da escola. Aquela dúvida sobre a palavra do outro. Aquela exposição do outro ao ridículo. Aquela ameaça. Aquela intimidação. Aquela reunião de pessoas contra um indivíduo. Cada ato, uma cicatriz. Você pode fingir que você não feriu ninguém ou lidar com o impacto das suas ações.
10 – Não sabemos pelo que os outros estão passando

Não subestimemos a dor do outro. Vamos ESCUTAR. Pelo amor de deus, vamos nos escutar! Todo mundo tem tanta demanda de fala, mas tão pouca disponibilidade de escuta. Vamos ser sensíveis. Nunca sabemos pelo que os outros estão passando. Sejamos cuidadosos com o próximo. Isso pode ser a diferença entre um dia a mais ou não.

 

11 – Amar quem nós somos é incrivelmente difícil

Você que está lendo isso aqui: eu tenho certeza que consigo encontrar facilmente muitas coisas lindas em você. Mas será que você enxerga essas coisas? E você, vê algo bonito em mim? Será que eu também sou capaz de ver isso? Todos temos muitas dificuldades em enxergar o quão extraordinariamente bonitos somos, e o bullying, nem preciso dizer, não ajuda em nada. Vamos ajudar os outros a enxergarem sua beleza, e não aumentar ainda mais o peso de seus fardos.
12 – Suicídio não deve ser um tabu

Não vou debater a forma com que a série aborda o tema do suicídio. Não sou especialista, nem nunca tive pensamentos suicidas ou depressão. Minha posição só me permite saber as sensações que a série provocou em mim, com meu background, e é isso que estou compartilhando com vocês. Mas precisamos falar sobre suicídio. Precisamos discutir a questão. Precisamos enfrentar o quão fracos temos sido quando lidamos com o tema. Podemos garantir o amanhã de alguém dessa forma.
13 – Todos nós podemos ser um porquê de alguém

Todos nós temos potencial para ser o porquê de alguém. Por não percebermos o limite das nossas ações, por mentirmos a respeito do outro, por abandonarmos o outro, por usarmos o outro como pretexto egocêntrico para obter alguma vantagem, por invadirmos a privacidade ou o espaço do outro, por sermos cruéis, por perpetuarmos estigmas, por expormos, por não sermos responsáveis por nossas atitudes, por não nos importarmos o suficiente. Estejamos atentos.

 

BÔNUS: Para mim, a série foi mais uma forma de lidar com muita coisa que acontece aqui dentro. Esta é a primeira vez que falo tão aberta e tão publicamente sobre o bullying que sofri. Obrigado por lerem até aqui.

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Dalilas

(poesia dedicada a Samuel Sanção)
Quer uma poesia dedicada a você? Clique aqui e participe.

De onde nasce a arte?
Do artista inquieto,
Da ciência ou de Marte?
Pode ser de um bom projeto,
Ser criada, parte a parte.
De artesão ou de arquiteto.

Mas por que essa pergunta?
Quando o artista se questiona,
Muitas vezes ele assunta
Se a inspiração é a dona,
A cola que une e que junta
E faz o belo vir à tona.

Se a fonte está na mente
Ou se está no coração,
Onde nasce essa semente?
Perguntam muitos: em vão.
Cada artista e o que sente,
É privada imensidão.

Há as Dalilas, ainda,
Sempre ali, de prontidão,
Onde o escuro não se finda,
Procurando seu Sansão,
Pra lhe dar a boa vinda
E sufocar a criação.

Cabelos ou não ao vento,
Pro artista, pouco importa,
Fala mais alto o talento:
É ele quem abre a porta,
Quem acalenta o relento,
Quem a alma desentorta.

Um retrato, um desempenho,
Uma linha que floresce,
Expressão que franze o cenho,
Um pincel que obedece,
Faz nascer o bom desenho
Que o fã do Sansão conhece.

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Fotografia mal feita

(poesia dedicada a Duillys Chaves)

Na vida daquela lente
Bastava um simples momento.
O flash era o instante inocente
Que interromperia o vento.

Em meio ao silêncio das ramas,
Sem nenhum tipo de alarde,
Surge um furacão de chamas
Das asas de um Charizard.

Sobre ele um menino,
Assustado e taciturno.
Um palpite pro destino?
Talvez os anéis de Saturno.

A sorte estava lançada,
Foi ela quem viu primeiro.
A lente jogou, encantada,
Seus dados no tabuleiro.

O vento era forte e intenso,
Ela, calma e resistente.
O momento podia ser tenso,
Mas não dava medo na lente.

Acontece que a lente,
Mesmo brava, era imperfeita,
Sem captar o ar quente,
Revelou uma foto mal feita.

Sem a alma do menino,
Sem humor e sem ternura.
Sem nem mesmo o destino
Da grandiosa aventura.

PS: Essa poesia faz parte de uma série que farei esse ano, em virtude de uma promessa que fiz no Facebook. Prometi 12 peças de arte para as 12 primeiras pessoas que participassem da “corrente”. Ainda não completaram as 12 pessoas, então se você também quiser alguns escritos meus dedicados a você, basta participar do post clicando aqui.

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Fotossíntese

(poesia dedicada a Ana Luiza Melo Ribeiro)

Naquele jardim impossível
Nascem flores tão singelas.
Nada ali é perecível,
Nem flores e nem donzelas.

Em meio a tanta beleza
Abstrata e concreta,
Poesia e singeleza
Formam a flor mais discreta.

É no bosque dos desejos
Que se desvenda a magia:
Ao mais suave dos beijos,
Brisa vira ventania.

Sopro forte, não se cansa,
Mas é doce e impactante.
É a sua exuberância
Que o torna tão marcante.

No centro de todo esse vento,
A pequena flor transcende.
Princesa que acolhe o relento
Fortalece e surpreende.

Segura do que faz e sente,
Delicada, nos conduz.
A flor, que nasceu da semente,
Traz a fé que há na luz.

PS: Essa poesia faz parte de uma série que farei esse ano, em virtude de uma promessa que fiz no Facebook. Prometi 12 peças de arte para as 12 primeiras pessoas que participassem da “corrente”. Ainda não completaram as 12 pessoas, então se você também quiser alguns escritos meus dedicados a você, basta participar do post clicando aqui.

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Ele e o homem do cafezinho

por Álvaro Dyogo e Gabriela David

Ele era um cara que não tinha muitos amigos. Não que ele soubesse. Enquanto ele se ocupava de suas coisas banais e tentava cultivar pequenos sonhos, tinha muita gente prestando atenção nele. Mas ele não fazia ideia. A questão é que ele tinha um senso de magnitude do universo muito apurado e por isso, sempre se sentia insignificante diante do todo. Mas não era assim que as pessoas o viam. Havia algo ali, beirando a superfície. Um poder latente prestes a despertar.

Nada foi planejado. Era uma terça-feira comum quando ele acordou cedo para pegar o pão fresquinho na sua padaria preferida, antes de começar a trabalhar. O que ele não esperava era ouvir aquele grito agudo vindo não se sabe de onde. Tudo o que ele percebeu era que cada pelo de seu corpo estava arrepiado. Olhou pros lados. Alguém mais tinha ouvido? Não era possível que só ele tivesse reparado. As pessoas estão anestesiadas a esse ponto?

Mas não havia nada de diferente e todo o resto do mundo se comportava como se aquele grito não tivesse ocorrido.
Um novo grito ecoou dentro dele. A direção não era a mesma, tampouco era possível reconhecer. E novos gritos vieram. Cada vez menos soavam como gritos, cada vez mais como chamados que ele seguia intuitivamente sem saber para onde estava sendo levado. O mundo ao seu redor permanecia inerte. Parecia ser só nele que havia movimento.

Olhou para um homem que tomava um café em um desses copinhos de isopor enquanto olhava distraidamente para a tela do celular que segurava com a outra mão. Camisa azul clara de manga curta, calça social marrom clara, por volta de quarenta anos. Aparentava a tranquilidade de quem já tem aquela rotina no automático e parecia realmente alheio aos gritos.

Foi então que o homem do cafezinho gritou. Desesperado. Ensandecido. Mas ao mesmo tempo em que ele gritava e seu rosto se transformava em uma máscara de pavor ele também continuava com o rosto sereno que olhava para o celular enquanto tomava café. Eram como duas imagens sobrepostas, e o grito ecoava dentro do seu peito, não nos seus ouvidos.

O homem do cafezinho o viu e correu. Ele correu atrás. De repente, as pessoas na rua pareciam estar todas prestando atenção neles. Eles correram tanto que o homem do cafezinho finalmente se cansou e sentou-se, exausto. Entregue.
– Por que você gritava? – perguntou ele.
– Era por causa de você – respondeu, entre fôlegos, o homem do cafezinho. – Você escutou os gritos da minha alma, e ela, que já estava tão acostumada a gritar sem ser incomodada, trouxe a tortura à superfície.

 

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