Cicatriz

(poesia dedicada a Bernardo Leal)
Projeto escrito pra você.

Qual é a chave?, quer saber
O menino com seu pato,
Para não enlouquecer,
Ir para o próximo ato.

Qual é a chave que detém
Todas as informações?
Que o levarão além,
Transformando as intenções.

Qual é a chave mais precisa?
A que melhor se encaixa…
Grasna, de forma indecisa,
Pato de cabeça baixa.

Chave clara ou chave escura?
Pequenina ou gigantesca?
A que abre a fechadura
É singela ou é grotesca?

Sem resposta, o sofrimento
De que não tem mais lugar.
Mas bem naquele momento
Ocorreu o despertar.

Pato esperto, inteligente,
Projetou a fantasia:
De uma forma diferente,
A porta se abriria.

Bateu asas, voo curto,
Num rasante já sumiu.
O menino entrou em surto:
“Fiquei só!”, já concluiu.

De repente, um sopro intenso.
Porta aberta: era um fato.
O menino, todo tenso,
Procurava pelo pato.

Se deu conta, em um instante,
De que pato não havia.
Uma dor, já tão distante,
Latejava em companhia.

Se a ferida, ainda aberta,
Não deixava ser feliz.
O pato, sempre em alerta,
Transformou-se em cicatriz.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Poesia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s