Review – Harry Potter and the Cursed Child – Parte 1 – Ato 2

 

Se está chegando agora, sugiro que leia os posts anteriores:

Review – Harry Potter and the Cursed Child – Para começar…

Review – Harry Potter and the Cursed Child – Parte 1 – Ato 1

Agora sim, pode continuar… Só para lembrar, esse texto contém spoilers. 😉


Começamos o segundo ato em um novo sonho de Harry (Jamie Parker). Em cena, tia Petúnia (Helena Lymbery) e o jovem Harry (Jabez Cheeseman). Ele está no armário sob a ~ escada ~. A mesma escada é utilizada no quarto do Harry adulto, no salão de reuniões do ministério da magia, no escritório de Hermione e dentro de Hogwarts. Como disse no post anterior, um objeto cênico (dois, na realidade, pois há um par de escadas) poderoso para o espetáculo, e extremamente funcional.

Assim que Harry acorda do pesadelo e tem um diálogo com Gina (Poppy Miller), vamos para a sala da diretora McGonagall (Sandy McDade), em Hogwarts, onde ela e o casal estão preocupados com o pesadelo de Harry. No fundo da sala, uma lareira, de onde irrompe Hermione (Noma Dumezweni), que foi até lá usando pó de flu. Provavelmente, tem um escorregador atrás da lareira, porque toda vez que alguém a utiliza chega deslizando como quem desce de um escorregador. Mais uma saída genial da peça para a utilização de um recurso mágico tão conhecido dos fãs.

Alvo (Sam Clemmett) e Delfi (Esther Smith) estão na orla da floresta proibida treinando magia. Especificamente, o feitiço Expelliarmus. Quando Alvo consegue desarmar Delfi com o feitiço, a varinha da menina some e aparecem duas varinhas nas mãos de Alvo. Mais truques mágicos acontecendo na nossa frente. Este, inclusive, acontece algumas vezes em seguida. Nessa cena, uma sequência engraçadinha dá a entender que pode estar havendo um interesse de Alvo por Delfi (que é alguns anos mais velha), ao que Escórpio (Anthony Boyle) reage com ciúmes. Mais um indício da grande amizade entre os dois, ou algo mais? Divago…

Eis que surgem, na floresta proibida, Harry e o centauro Agouro (Nuno Silva) – ele é português, não brasileiro, como o nome poderia sugerir rs –, com uma caracterização impressionante. O único problema é que o figurino é tão gigantesco que o centauro não consegue se movimentar livremente, como um cavalo normal faria. Para sair de cena, Agouro precisa andar para trás, tipo de ré, o que eu achei um pouquinho estranho. Mas o figurino não deixa de ser maravilhoso, só achei pouco funcional. Eu já interpretei um centauro no teatro (muito mais modesto, é claro) e sei bem como é difícil se adaptar a um corpo com quatro patas haha.

Alvo e Escórpio, então, voltam no tempo pela primeira vez. Os inúmeros relógios do cenário começam a girar para trás rapidamente, até que um efeito incrível, que imagino que seja de iluminação, faz parecer que o palco sofreu um impacto. Para que vocês consigam visualizar sem ter assistido à peça, é como se o palco fosse de água límpida e você jogasse uma pedra nele. Há um balanço, um impacto, o efeito visual mais impressionante da peça para mim. Esse mesmo efeito ocorre todas as vezes que os personagens voltam no tempo.

Aí estamos na mesma orla da floresta proibida, porém em 1994, durante o Torneio Tribruxo. Ludo Bagman (não creditado) anuncia o torneio em off enquanto a multidão de figurantes se concentra no centro do palco, olhando para a plateia, como se estivessem assistindo ao começo da primeira tarefa, que aconteceria fora da quarta parede. A jovem Hermione (Cherrelle Skeete, que também interpreta Rosa Granger-Weasley) está no meio da multidão, torcendo por seu amigo Harry. A narração da tarefa dos dragões acontece toda em off, de modo que só acompanhamos o embate entre Cedrico e seu dragão através da narração de Bagman e das reações dos estudantes que estão em cena, muito bem coreografadas. Confesso que a essa altura, depois de já ter visto tantos “milagres” acontecerem, eu estava esperando pelo dragão real e uma supercena de ação, e fiquei um pouquinho decepcionado com a forma como a cena foi feita (eu e minhas decepções com o Torneio Tribruxo haha). Mas funcionou como foi, jogou a cena pra imaginação dos espectadores.

Então retornamos ao presente, e estamos na ala hospitalar de Hogwarts. Dumbledore (Barry McCarthy) aparece em cena, faz alguns movimentos com sua varinha, e desce a ao palco a moldura do quadro de onde o diretor conversará com Harry. Essa cena é muito bonita, e destaca o excelente efeito de iluminação que esconde completamente a parte do corpo de Dumbledore que fica fora do enquadramento da moldura. É como se estivéssemos, de fato, diante de um quadro, com uma pessoa pintada da cintura para cima.

Começam então as revelações sobre as primeiras confusões geradas pelo retorno no tempo. Alvo é da Grifinória, e não mais da Sonserina, Rony (Paul Thornley) é casado com Padma e eles têm um filho, Panju. Rosa não existe mais. Destaque para Rony dizendo seu bordão “Bloody Hell!” (“Maldição!”) quando Alvo pergunta a ele, depois de algumas outras confusões, quem é Panju. Eu estava esperando por isso! Haha. Muito legal ver o constrangimento de Rony e Hermione, em todas as realidades alternativas, ao ouvirem que, no tempo original, são casados e têm uma filha. Dumezweni e Thornley, mais uma vez, arrasam.

Quando Harry pede a McGonagall que ela cuide para que Alvo e Escórpio não se aproximem mais, gosto de um diálogo da peça em que ela diz que foi aconselhada, ao assumir a direção, a não confundir o retrato com a pessoa, quando Harry cita uma conversa com Dumbledore. “Retratos não representam nem metade dos retratados”, ela diz, com seu sotaque afetado. Algo que não havia sido discutido na saga original e que eu gostei bastante de refletir a respeito. Mas divago de novo…

Depois, vemos uma amargurada e carrancuda Hermione como professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, tirando pontos dos alunos um instante após o outro. Preciso falar mais uma vez: Noma Dumezweni, que atriz! <3. Logo depois dessa sequência, uma das mais românticas bonitas da peça: Alvo e Escórpio, que agora estão proibidos de conversar, sobem e descem pelas escadas de Hogwarts, que se movem numa coreografia linda, fazendo com que os pombinhos meninos se afastem sempre que poderiam se aproximar.

Draco (James Howard) vai, então, até a casa dos Potter brigar com Harry porque Escórpio está miserável após a separação forçada entre ele e Alvo. No meio do desentendimento, uma batalha de varinhas em cena! Os feitiços são lançados e, com eles, os efeitos, incríveis: os personagens são suspensos no ar, dão cambalhotas, objetos são lançados, enfim, pura magia. A coreografia dessa cena é maravilhosa!

Depois, uma cena entre Delfi e Escórpio que só faz ressaltar o romance a amizade entre ele e Alvo, com a garota dizendo o quanto Alvo sente falta do amigo e finalizando emblematicamente: “Vocês dois… pertencem um ao outro” (foi a Delfi que disse, eu juro!). Mais uma sacada genial na volta para a casa de Harry: Draco pede desculpas a Gina pela sua cozinha e ela responde que a cozinha não é dela, que é Harry quem cozinha mais por ali. Mais um pontinho pro feminismo, né? Isso sem falar em todo o papo de Draco sobre como ele tinha inveja da amizade entre Harry, Rony e Hermione na escola. Muitos criticaram essa confissão, mas acho que a peça soube onde encaixá-la e eu, particularmente, acho bonito Draco se humanizando com o passar dos anos.

A seguir, temos uma DR cena de Alvo com Escórpio, em que a professora McGonagall tenta procurá-los ao vê-los juntos no mapa do maroto, mas os garotos escondem-se sob a capa de invisibilidade. O efeito aqui é relativamente simples: os garotos saem de cena, e alguns objetos/móveis se movem enquanto eles “passam invisíveis” por eles. Algumas cenas de transição depois, incluindo um encontro maravilhoso entre Rony e Hermione, não casados, conversando sobre a possibilidade, levantada por Alvo.

Vamos, então, para o banheiro feminino no primeiro andar, lar da Murta Que Geme (Annabel Baldwin, que também interpreta Lílian Potter), de onde Alvo e Escórpio pretendem voltar no tempo mais uma vez para consertar as coisas. Além da interpretação divertidíssima de Baldwin, a cena merece destaque pela forma como é executada. Sobre a pia que serve de entrada para a câmara secreta, uma estrutura circular, lembrando (ou talvez seja) uma lira circense. Essa estrutura é muito utilizada por Baldwin, que gira, se apoia, numa partitura corporal que me remeteu mesmo a algumas movimentações circenses. Uma cena bonita e divertida de se assistir.

Os garotos voltam no tempo e reaparecem no ~ lago ~ do Torneio Tribruxo. Sim, no lago. Uma estrutura frontal desce sobre o palco, e mergulhamos com os atores nesse cenário fantástico. Clemmett e Boyle estão suspensos, movimentando-se como se seus personagens estivessem, de fato, nadando. Alguns efeitos bem rápidos simulam a passagem dos outros competidores, até que Cedrico (Jack North) surge e os meninos utilizam nele o feitiço de ingurgitamento. Cedrico começa a inflar como um balão e sai de cena sendo “impulsionado” para cima devido ao feitiço.

Voltamos ao presente, o cenário do lago desaparece e, de um tanque real, até então oculto, no proscênio, emerge Escórpio, encharcado. Ele acabou de sair do lago. Genial. Alvo não retorna. Quem tira o garoto do lago é a agora diretora Umbridge (Helena Lymbery). Estamos na Hogwarts sombria. Para fechar a primeira parte com chave de ouro, emergem, das laterais do palco, dois dementadores. São enormes, idênticos aos dementadores dos filmes. Eles flutuam sobre a diretora e Escórpio. Quando estamos começando a nos recuperar do impacto, um novo dementador surge, sobrevoando a plateia. Ele passa por todos nós até chegar ao palco. Escórpio fica sabendo que está sendo comemorado o Dia de Voldemort. As cortinas se fecham. Fim da primeira parte.

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