Arquivo do mês: março 2017

Dalilas

(poesia dedicada a Samuel Sanção)
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De onde nasce a arte?
Do artista inquieto,
Da ciência ou de Marte?
Pode ser de um bom projeto,
Ser criada, parte a parte.
De artesão ou de arquiteto.

Mas por que essa pergunta?
Quando o artista se questiona,
Muitas vezes ele assunta
Se a inspiração é a dona,
A cola que une e que junta
E faz o belo vir à tona.

Se a fonte está na mente
Ou se está no coração,
Onde nasce essa semente?
Perguntam muitos: em vão.
Cada artista e o que sente,
É privada imensidão.

Há as Dalilas, ainda,
Sempre ali, de prontidão,
Onde o escuro não se finda,
Procurando seu Sansão,
Pra lhe dar a boa vinda
E sufocar a criação.

Cabelos ou não ao vento,
Pro artista, pouco importa,
Fala mais alto o talento:
É ele quem abre a porta,
Quem acalenta o relento,
Quem a alma desentorta.

Um retrato, um desempenho,
Uma linha que floresce,
Expressão que franze o cenho,
Um pincel que obedece,
Faz nascer o bom desenho
Que o fã do Sansão conhece.

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