Arquivo do mês: junho 2013

primeira carta ao juiz cego

Afasto-me porque a distância me dá o direito pouco requerido de refletir só. Pensar pode doer e não entretém. Se pergunto não é por resposta. É só pra tentar definir a próxima questão. O aplauso retumbante que anseio vem de dentro. Fujo?
(Álvaro Dyogo. Sem título. Postada no facebook em 14/06/2013, escrita no celular)

primeira carta ao juiz cego

meu amigo,
já faz tanto que nem lembro.
nem lembro do seu peito, sujeito, a me dar abrigo.
nem ligo.
claro que ligo. dezenas de vezes ligo: persigo.

que decisão é essa que me escondes?
nossa música fugiu de carona. onde?
nosso pacto ruiu, e nem viu.
não sentiu? responde!

te queria aqui, verdade.
finjo que não, vaidade.
não posso impor minha presença: pensa?
as meias-conversas, enfim recompensa.

o quanto sofro não meço, me impeço.
às vezes até esqueço, ou penso, recomeço.
quando lembro escrevo, nem devo.
mas a dor escorre pelos dedos. mereço?

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Arquivado em Poesia

supertantacoisa

estou pronto, mas não quero ir.
onde já não me importa.
importância do que não faz diferença.
diferente não é se não acredito.
crer e só não me diz nada.
vazio frasco não me contamina.
contágio falso não me convence.
persuadir como se não sai da superfície?
supertantacoisa que não penetra.
entra leve, não força a barra.
barro se você não tenta.
tentar é pra quem não superestima.
supertantacoisa devia, mas não duvida.
dúvida ausente não quebra o silêncio.
silenciado escuta-se, não se cuida.
cuidado de quem não argumenta.
retórica rasa, em que se não mergulha.

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