Arquivo do mês: maio 2013

dores

o por que
que se eu
sei dá tempo de
fazer?

e de
não descobrir?
for por
que tanto?

bom que
em
nada
dói?

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porque sei lá

quando ele apareceu, percebeu que eram iguais.
atitudes, estilo, no falar, nos rituais.
achava que eram dupla, na verdade foram três.
calado, reprimido e expansivo de uma vez.

primeiro foi bonito, começou a desandar.
um deles não faria mais parte, porque sei lá.
a agora nova dupla permitia-se maior.
amigos, festas, mais intimidade, mais suor.

não era nada bobo, percebeu-se solitário.
pintou-se novamente, recolheu-se em seu aquário.
a culpa ‘inda era dele, para quem faziam falta.
nem tudo incomodava, mas tudo virava pauta.

apagou tudo aquilo, procurou, correu atrás.
quietude, repressão e extroversão voltam à paz.
o gêmeo do quieto pode ser misterioso,
confuso, envolvente, sedutor, vil e jocoso.

mistério e expansão comemoram bodas de cacos.
vidro quebrado arranha, melhor sufocar em sacos.
calar fica melhor pra quem se assume quieto.
ignora o que vê, palavra paga com veto.

machuca, fere de morte, sangra, corta, assassina.
sem nem dizer palavra, morte lenta, sua sina.
morrendo-se por dentro, nunca mais se reconhece.
quieto previsível, cala e o outro emudece.

o tempo tenta a cura, tenta em vão e sem decoro.
cada encontro é palavra, é festa, é suor e choro.
não quer incomodar mas não se admite ausente.
sumir talvez, pra ele, fosse até mais coerente.

despede-se de novo, nada nunca aconteceu.
acorda, dorme, sonha, alucina, volta o breu.
fica atordoado sempre que vê que acorda.
expande-se e explode-se, do centro para a borda.

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breakfast

surpresa
é por-se à mesa,
em sobremesa.

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doce asfixia

numa atmosfera em que a tempestade é a rotina, a calmaria inquieta.
mas se a própria tempestade é inquieta, temos contradição.
silogismo barato e furado pra tentar fechar os olhos do furacão.
tudo bem, contanto que o sono vente.
porque paz é igual notícia boa de jornal: tira o sabor do espetáculo.
ofegar é repensar a vitalidade do banal.
mais legal é dominar, não sem sustos, a tempestade.
saborear o vendaval que cega e arranca do lugar.
inalar vida: a melhor respiração vem do sufoco.

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insapiência

a vastidão do angustiante não-saber enche-me com o apetite dos famintos miseráveis. recolho-me.
escolha incompreendida e tão sensata quanto a insana gana de deixá-los, às favas. fodendo-se.
tempo, que não tenho, perco sendo um avatar para um sanguessuga parasitando invisível.
tortura psicótica escolhida, incapacitante e paranoica, leva a um não-caminho lento e provocador.
sucessão de patéticas não-escolhas sem rota, estrela estável que se queria supernova intensa e efêmera.
covardia engasgada mascarando-se inofensiva, mas corrosiva feito ácido em madeira podre.
grito entalado, mudo, implosivo, fere de coma os órgãos impalpáveis.
semente da insapiência escolhida germina algema doentia. colhamos.

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declive

a quem conheço?
a que preço?
a quem convenço?
a que venço?
a que começo?
a quem mereço?
a quem pertenço?
a que senso?
penso? denso.
e desço.

(álvaro dyogo)

Bom, esse era mais um dos meus textos que jogo no facebook e depois tento passar pra cá, pra deixar registrado. Ainda não tinha nome, mas foi batizado. E tem tudo a ver com o momento pelo qual estou passando… Preciso tentar expurgar mais um pouco por aqui. Esse espaço tem sabor de desabafo às vezes. Que bom.

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