Arquivo do mês: maio 2012

Ceia mórbida

Linha de fogo em pólvora, apressada, rota certa.
Faísca fascinante, imprevisível, pula esperta.
Linha diagonal, curva precoce, face alerta.
Bomba, fim de partida, medo atroz, ferida aberta.

Açougue humanóide, carne fresca, tudo à venda.
Parece até mentira, inverdade, mito, lenda.
Corpos despedaçados, rachaduras, ossos, fendas.
Levando um bom pedaço, ganha os órgãos como prenda.

Sobras desperdiçadas são levadas pro porão.
Onde ninguém conhece, tocam harpas, violão.
A festa underground rola após a explosão.
Tem muito vinho tinto na sangrenta refeição.

Dentes rangem sinistros, a donzela se intimida.
Com tanta gente estranha, ela se sente excluída.
Ter resistido à bomba parecia má pedida.
Pra ela, confortável era a atitude suicida.

O barulho do tiro virou comemoração.
Mais carne, alimento, apetitoso coração.
Os sonhos que levara perderam-se, tudo em vão.
Seu sexo era agora canibal congregação.

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Arquivado em Poesia