Arquivo do mês: junho 2011

Monólogo do Tempo

Ontem eu não era.
Antes de mim, em outra era,
Não havia, em ampla esfera,
Algum sentido na espera.

Acontece que fui.
Num instante que se rui
Lentamente, disse mui
Lentamente, algo se inclui.

Quando, então, passo a ser,
Acelera-se o crescer.
O lento passa a correr.
Há um súbito dever.

Tudo o que rejo e faço,
Sustenta-se, passo a passo,
No ritmo do compasso
Que une as pontas do laço.

Até que, então, envelheço.
Tudo volta ao começo.
O lento evita o tropeço.
E eu, o tempo, desapareço.

P.S.: O texto “Monólogo do Tempo” foi criado e apresentado por mim para trabalho final do módulo “Corpo e Movimento” da pós-graduação em Comunicação e Arte do Ator.

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Ópio e tinta

Morte. Calafrio. Desejo forte.
Sorte. Sorrio, não vejo um norte.

Ambição, segredo, tristeza profunda.
Ação com medo, torpeza inunda.

Vida, alegria, felicidade.
Caída palhaçaria, inverdade.

Exclusão, isolamento, talento nato.
Solidão, tormento, lento assassinato.

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Gotas de sangue

Como deixamos chegar a esse ponto? Nos conhecemos ontem, fomos simpáticos, rimos um com o outro, construímos laços, nos aproximamos, nos interessamos um pelo outro, trocamos carinhos, trocamos beijos, dormimos juntos, trocamos angústias, trocamos afetos. Continue lendo.

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Detrás do arvoredo


Olhei o arvoredo
Em segredo.
Estava escuro.

Já não era tão cedo,
E tive medo,
Inseguro.

Nem doce nem azedo,
Engano ledo
Não procuro.

Tudo era obscuro,
Vi apuro
Neste enredo.

Se eu era imaturo,
O meu futuro
Era brinquedo.

Fiquei, por ser tão puro,
Eu te juro,
A chupar dedo.

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