Arquivo do mês: maio 2011

Muito prazer, (só) eu existo.

Ela disse para ele que existia um sentimento pelo qual tudo valia à pena, que era capaz de balançar os sentidos, de transformar pensamentos e mudar rotas para sempre. Era algo mágico, puro, transcendental, que alimentava os poetas e aquecia os corações. Um sentimento tão forte que era capaz de reestruturar as pessoas para que pudessem vivê-lo em plenitude. Depois de conhecê-lo, não haveria mais julgamentos ou arrependimentos. Era perfeito. Continue lendo.

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Quanto tempo o tempo tem?

Olhou para o relógio, amanhã já chegara. Desperdiçou um dia inteiro e não havia um segundo a perder. Correu o mais rápido que pode, ignorando os pedidos de cuidado da mãe. Tropeçou, caiu, algumas pessoas riram, levantou-se e seguiu adiante, sem dar atenção. Olhou ao redor, procurando companhia, mas ninguém estava com tanta fome de vida, e, portanto, simplesmente não era possível acompanhar seu ritmo. Continue lendo.

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Nada adiante

Dormiu desejando que nada daquilo fosse verdade. Abriu os olhos. Olhou ao redor. Percebeu-se sozinho. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas o fato é que não havia mais nada. Nada com o que se preocupar, nada em que acreditar, nada pelo que valesse à pena continuar. Seguiu em frente pelo simples motivo de que não havia nada mais a fazer. Continue lendo.

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Até que veio a neve…

Contava-se que ele era exatamente, e literalmente, assim. Seus cabelos traziam a rebeldia adolescente que ele jamais deixou de lado. A postura ostentava uma gentileza que também combinava muito. Os olhos incrivelmente expressivos emprestavam melancolia e romance. Os lábios comprimidos dando a ideia de alguém embaraçado também não eram por acaso.

A pele talvez fosse um reflexo de sua energia para o amor. Mas também passava o quão indefeso ele costumava se sentir. As mãos denunciavam ansiedade. O tronco representava sua faceta metamórfica, e gritava sobre sua autoestima. As pernas eram um tesouro. Os pés sempre demonstravam o capricho e o cuidado que ele procurava conservar para com os seus.

Até que veio a neve e calou tudo.

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Conto de fadas

Ela estava aprendendo. Na marra. Cansada de ser mal interpretada, começou a exercitar ser bastante clara em tudo o que dissesse. Podia até ser que alguém saísse machucado com aquilo. Ela suportaria novas feridas se cicatrizassem as que ele já colecionava. Passou por momentos terríveis. Desacreditada por ela mesma, não mais cuidava de si, entregou-se ao sofrimento que crescia como uma avalanche. Ela sabia ser a dona de toda a culpa. Mas nada como o tempo para trazer respostas. Continue lendo.

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