Arquivo do mês: abril 2011

Apêndices

Ela acordou, espreguiçou como de costume, e foi até o quarto dele. Cama impecável, nada de fotografias no mural, guarda-roupa vazio. No criado-mudo, a tinta vermelha sobre o papel era a única coisa que cobrava atenção.

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Chama efêmera

O chão repleto de marcas era o território em que ele havia decidido se entregar. Os ponteiros do relógio, parados, refletiam o que ele gostaria de ter presenciado. Mas o tempo foi implacável. Era preciso sorver os últimos segundos como ele nunca havia feito. Mas era muito difícil acreditar que sempre existe outra estação depois de tudo o que ele havia vivido. Era sempre inverno. Continue lendo.

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(falta de) Atitude

Ela estava cansada deles todos. Mesmo assim, antes de serem possíveis amores eternos de uma semana, eles eram seus amigos. E da amizade não estava cansada. Decidiu que precisava se divertir e marcou com eles. As noites que passavam juntos costumavam ser divertidas. Ela tinha muito mais amigos do que amigas e, no final das contas, achava isso bom. Continue lendo.

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Apenas o que falta

Não. Não é o bastante. Não quero que você me diga que é. Não quero “quando eu menos esperar”. Não estou satisfeito. Não quero mais uma vida cheia de certezas. Não nasci pra solidão. Não quero nada programado. Não quero que nada se resolva sozinho. Não quero estagnação. Não quero perder tempo. Não quero “ses”. Não quero me prender.

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Excessos

Eu sou eu e meus excessos. Excessos, porque eles são mais honestos do que a falta. Não vim para ser metade, vim ser completo. Exceder. Transbordar. Não quero que me achem excelente, perfeito, intocável. Não quero elogios pela minha capacidade de seguir as regras, os quero por transgredi-las quando necessário. Quero que me vejam. Quero que me toquem. Não quero criticar meus semelhantes, não quero a hipocrisia de viver escondido em mim mesmo. Vou explodir, vou transformar, vou gritar o que precisa ser ouvido. Sem medo.
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Vômito lírico

Quando tudo o que você parece querer é incrivelmente longínquo, inatingível,

e você começa a se dar conta de que talvez o problema sejam os seus

desejos, ambições e sonhos que sugam a sua energia com a

ferocidade de um furacão e exigem de você temperança

para aguardar o que dizem ser o momento certo,

mas você não acredita que esse momento

vai chegar, acaba se decepcionando

e se frustrando por não ter sido

preparado para o turbilhão

que passa a mover toda

a sua vida e o faz se

sentir, dia após

dia, cada vez

mais triste,

exausto,

cético,

sem

fé e

só.

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