Disseram para ela que ela era especial. Que sua energia emanava cores que preenchiam de alegria as vidas deles. Que merecia uma vida de sonhos realizados. Que precisavam dela como precisam do ar para respirarem. Que era surpreendente, bela, sensível, e um monte de outras coisas. Ela acreditou.
Encarou a passagem do tempo, sempre com a mesma energia, renascendo a cada nova estação. Quando se sentia fora de lugar, quando não queria estar entre os outros, não havia quem percebesse, mesmo que secretamente esse fosse o seu desejo. Ela se sentia em um deserto.
Fracassou. Talvez porque não houvesse energia que resistisse às tantas intempéries que teve que enfrentar. Talvez por ter acreditado que haveria alguém quando ela precisasse. Talvez porque ela não era tão especial assim, e ninguém a havia preparado para ser ordinária.
Diziam que ela era uma flor. Mas as flores, quando não são regadas, murcham.
É Álvaro, esse texto ainda me assusta. Não costumo comentar aqui, mas tô sempre lendo, já sabe.